São muitas as possibilidades de respostas para a pergunta que dá título a este artigo. Para uns, o luxo pode estar em um carro que se dirige sozinho ou em possuir um relógio suíço com alta qualidade. Pode ser uma viagem para um hotel cinco estrelas ou ainda um celular de última geração. O que todos esses luxos possuem em comum? São materiais – e bem caros, para sermos sinceros.

É claro que o desejo por conforto, beleza e exclusividade continua existindo. Mas será que luxo ainda é só o que brilha na vitrine? Para mim, cada vez mais, o verdadeiro luxo está nas coisas que não se veem. Luxo é ter saúde física, mental e espiritual. Luxo é ter tempo, tempo de verdade, para estar com quem amo, para descansar sem culpa, para ouvir sem pressa, para ser. E não para ter.

É poder viver experiências que me permitam sentir, aprender e evoluir como ser humano. É poder consumir algo que respeita o meio ambiente e as pessoas envolvidas na cadeia produtiva.

Esse movimento não é só impressão minha. Um estudo da consultoria Bain & Company já vinha apontando, lá em 2022, que o consumidor de alto padrão estava cada vez mais atento à sustentabilidade e à ética nas escolhas de consumo. Luxo, hoje, é também transparência. É rastreabilidade. É valor compartilhado. Há até mesmo o movimento do “quiet luxury”, quando o consumidor ainda quer aquele material caro, mas que não seja ostensivo e sim discreto.

E tem mais: luxo, pra mim, é saber que a renda de quem colheu o café que eu bebo de manhã permite que essa pessoa tenha dignidade. Que ela possa pagar o aluguel, colocar comida na mesa, ter acesso à saúde, à educação. Parece básico, mas não é. Num país como o Brasil, onde mais da metade da população economicamente ativa vive com menos de dois salários mínimos, pensar em luxo sem pensar em justiça social me parece… datado.

Outro exemplo? Luxo é respirar ar puro. É poder nadar em um rio limpo. É olhar para o céu e ver estrelas — sim, estrelas, essa coisa quase mitológica em grandes cidades. Num mundo onde a poluição mata mais do que o tabaco e o álcool juntos, segundo a Organização Mundial da Saúde, querer um planeta habitável deveria ser um símbolo de status.

Claro que não sou contra o belo, o raro ou o feito à mão com qualidade. Ao contrário, admiro profundamente a arte, o design e tudo que carrega história e cuidado, tudo que levou tempo para ser pensado e concebido. Mas talvez esteja na hora de pensarmos em uma definição mais ampla de luxo, uma conversa que busca agora incluir o outro, o planeta e que envolva consciência, conexão e pertencimento.

No fim das contas, ajustar nossas lentes para o que é luxuoso de verdade é finalmente entender que nada é mais valioso do que o nosso poder de escolha — e, mais, escolher com propósito.

E para você, o que é luxo?

 

 

 

 

 

Fonte: CNN Brasil