Quando se ouve falar de tomografias, o que vem à cabeça primeiro são os exames de imagens comuns do dia a dia hospitalar. De fato, a descrição está correta. Mas além de criar imagens detalhadas dos nossos ossos, órgãos e tecidos através do raios-X, elas podem fazer o mesmo em múmias – e o melhor: os detalhes são revelados sem precisar danificar os fragmentos antigos e valiosos.
De forma inédita, através da técnica de imagem, os pesquisadores do Museu de História da Medicina Semmelweis, na Hungria, conseguiram analisar e descobrir particularidades curiosas sobre fragmentos de múmias egípcias com mais de 2,3 mil anos de existência.
As peças já tinham sido investigadas anteriormente utilizando outros métodos, mas os resultados não se mostraram confiáveis.
“As imagens atuais fornecem uma visão mais detalhada do que nunca e espera-se que revelem novas descobertas cientificamente válidas sobre os restos mortais que foram preservados na coleção por décadas”, explica a curadora da coleção do museu, Krisztina Scheffer, em comunicado.
Os resultados da investigação ainda estão em andamento e não foram publicados, mas os primeiros detalhes começaram a ser revelados pela equipe de pesquisa em comunicado divulgado em 14 de abril. Em um dos fragmentos, uma perna mumificada, houve um dos achados mais interessantes: foram identificados sinais de osteoporose, a doença que fragiliza a saúde dos ossos. No total, estão sendo analisadas seis pedaços de restos mortais.
Osteoporose e pé confundido com pássaro: os primeiros detalhes sobre as múmias
Durante as análises, o achado dos sinais de osteoporose em uma das pernas é mais uma evidência de que no Egito Antigo os indivíduos sofriam com as mesmas doenças de atualmente. Em estudos anteriores, já foram encontrados indícios de artrite, anemia e câncer nas múmias.
Outro detalhe curioso da investigação foi uma confusão esclarecida pelas tomografias. Inicialmente, os pesquisadores achavam que um dos fragmentos era de um pássaro, já que era comum egípcios mumificarem aves. Porém, a investigação mostrou que era um pé.
Houve também a análise de um dos membros inferiores, que pertencia a um indivíduo jovem, e uma das mãos, na qual ainda há dúvida se era de uma criança ou de um adulto. Os estudos pioneiros com tomografias das múmias continuarão para trazer respostas concretas sobre todos os fragmentos.
“Com base nos resultados obtidos até agora, é evidente que a tecnologia moderna de imagem abre novas perspectivas na pesquisa de múmias. Pode revelar informações ocultas em achados com milhares de anos sem danificá-los”, conclui Krisztina.
Fonte: Metrópoles


