Se houve um tempo em que a beleza apostou forte no calor como escolha estética (lembre-se do blush sunkissed e da obsessão coletiva pelas gotas bronzeadoras), agora a indústria parece caminhar para o extremo oposto. Literalmente. O frio deixa de ser apenas sensação e passa a ser tecnologia: fórmulas, dispositivos e texturas que prometem resfriar a pele entram no centro das estratégias de marcas gringas e nacionais.
A tendência, já consolidada no mercado asiático, começa a ganhar tração no Brasil em um momento em que o clima se torna parte das conversas sobre consumo. Para contextualizar, abril deste ano foi um dos mais quentes da última década no país, enquanto maio mantém previsão de temperaturas acima da média histórica em grande parte do território brasileiro. É nesse cenário que o skincare, antes pensado para hidratar, tratar ou iluminar, hoje também precisa refrescar e assim, entre bem-estar e adaptação climática, surge o chamado cooling beauty, ou beleza com efeito de resfriamento.
Segundo especialistas, o calor excessivo impacta diretamente a saúde da pele e aumenta processos inflamatórios que acabam enfraquecendo a barreira cutânea, degradando o colágeno e acelerando o processo de envelhecimento. “É por isso que pessoas com melasma conseguem notar uma piora das manchas mesmo não tendo se exposto ao sol, somente ao calor”, argumenta Joyce Kitamura, fundadora da The Joy Lab. Sua marca desenvolveu o AquaPro Cooler, que combina ativos antioxidantes e tecnologia de resfriamento para atuar justamente nesse cenário de estresse térmico. “Na formulação, a intenção era criar um antioxidante que atuasse protegendo todas as frentes causadoras do envelhecimento precoce, mas numa fórmula extremamente estável”, conta Joyce em entrevista à Vogue Brasil.
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Além da The Joy Lab, outras marcas também começaram a explorar o potencial do resfriamento imediato como diferencial sensorial e funcional. A Ricca lançou recentemente o Ice Mist Corporal, que promete reduzir a sensação térmica em até 6°C. “Um dos principais desafios foi equilibrar potência com conforto de uso. Em muitos produtos cooling, o sensorial pode ser desconfortável”, explica Mariana Drukas, porta-voz da label.
Em ambos os casos, a estratégia mira diretamente no comportamento do consumidor brasileiro, que já integra o clima à rotina de beleza. “Existe uma demanda crescente por sensações de frescor e praticidade. No caso dos cosméticos com efeito refrescante, há uma conexão muito natural com a realidade brasileira, especialmente por sermos um país tropical”, completa Mariana.
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A lógica também aparece em outras categorias de autocuidado. Lá fora, o Cooling Body Mist, da Bioré, aposta em uma proposta de resfriamento corporal intenso, enquanto, por aqui, o BT Ice Gloss, da Linha Bruna Tavares, traz aplicador metálico e efeito mentolado. Já o Garnier Hialurônico Toque Seco, por sua vez, reforça essa mudança ao permitir ser refrigerado para gerar efeito de até -3°C na pele.
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“O avanço dos produtos com efeito cooling reflete uma mudança mais ampla na indústria, a ascensão da chamada climate-adaptive beauty”, aponta Mariana. O termo, que vem ganhando força entre marcas e formuladores, descreve uma nova geração de produtos de beleza desenvolvidos para responder ativamente às condições do ambiente, especialmente variações de temperatura, umidade e exposição urbana, em vez de apenas tratar a pele de forma estática.
Na prática, trata-se de uma evolução do skincare: fórmulas que se ajustam ao contexto em que são usadas e às necessidades que mudam ao longo do dia e das estações. Em dias de calor intenso, entram em cena texturas leves, sensorial refrescante e ativos com efeito calmante. Em ambientes secos ou agressivos, a prioridade passa a ser reforçar a barreira cutânea e minimizar inflamações. A climate-adaptive beauty também reflete uma mudança de comportamento.

