As cores das paredes externas da casa vão além da estética: elas têm papel essencial na absorção e na reflexão do calor gerado pela luz solar.

Para ajudar na escolha dos melhores tons e materiais para a fachada — e evitar que o imóvel fique mais quente — reunimos dicas que mostram como unir beleza e funcionalidade.

Priorize cores claras!

A principal dica para reduzir a absorção térmica do seu lar é priorizar clores claras e com alto índice de reflexão solar, como branco, off-white, bege, areia e cinza claro. Esses tons refletem grande parte da radiação e evitam que as superfícies acumulem calor ao longo do dia.

A fachada da casa conta com um eixo central de pedras moledo, da Margran, em tom claro, que além de valorizar a estética contribui para a reflexão solar — Foto: Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Vangii Guerra
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Vangii Guerra

Já uma fachada escura pode absorver até três vezes mais radiação que uma clara, elevando a temperatura das paredes e transferindo calor para o interior, o que aumenta o uso de ar-condicionado.

O arquiteto Alexandre Testa, do escritório AVAA Arch, explica que é possível usar tonalidades escuras na decoração externa, mas de forma estratégica: “Normalmente limito as cores escuras a planos menores, volumes recuados ou áreas sombreadas, enquanto mantenho os planos mais expostos ao sol em tons claros”.

A fachada combina o eixo de pedras com o revestimento cinza, criando equilíbrio visual e contribuindo para a climatização interna da residência — Foto: Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Cris Furlan Arquitetura

A fachada combina o eixo de pedras com o revestimento cinza, criando equilíbrio visual e contribuindo para a climatização interna da residência

Aposte em tons pastéis

Para criar combinações esteticamente agradáveis, o uso de nuances pastéis é uma ótima opção. “O branco absorve cerca de 20% do calor, enquanto tintas coloridas podem chegar de 40% a 60%, equilibrando estética e conforto”, explica a arquiteta Samia Sarayedine Testa.

Mesmo assim, vale a dica: evite pinturas escuras em grandes áreas e priorize tons claros, médios ou pastéis. “Apesar de serem tendência estética, os tons muito escuros exigem uso criterioso no projeto, equilibrando identidade visual e

desempenho térmico”, reforça a arquiteta Caroline Andrusko.

A parede curva em adobe de taipa, executada pela Taipal, envolve parte do térreo e cria a sensação de apoiar o volume superior. Essa área conta com estrutura de concreto e paredes de alvenaria pintadas pela Tintas e Cores em tom neutro e pastel. Já os caminhos com cacos de quartzito noble rosado da RFP contribuem para a climatização, evitando que os raios solares sejam refletidos diretamente para o interior da residência — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Meireles + Pavan

Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Meireles + Pavan

A parede curva em adobe de taipa, executada pela Taipal, envolve parte do térreo e cria a sensação de apoiar o volume superior. Essa área conta com estrutura de concreto e paredes de alvenaria pintadas pela Tintas e Cores em tom neutro e pastel. Já os caminhos com cacos de quartzito noble rosado da RFP contribuem para a climatização, evitando que os raios solares sejam refletidos diretamente para o interior da residência

A tecnologia pode ajudar

Hoje já existem soluções inteligentes para reduzir a transferência de calor para dentro da casa. Entre elas estão: tintas reflexivas com cool pigments, que refletem parte da radiação infravermelha; tintas ou membranas cool roof, que mantêm o telhado mais fresco; revestimentos cerâmicos claros com alto Índice de Reflexão Solar (SRI); e superfícies metálicas claras ou anodizadas.

Essas tecnologias aumentam a reflexão mesmo quando a cor não é totalmente branca, garantindo mais conforto térmico sem abdicar da estética.

A fachada branca se conecta ao piso de pedra, reforçando a proposta de reduzir a absorção do calor externo e contribuir para o conforto térmico da residência — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório FGMF Arquitetos

A fachada branca se conecta ao piso de pedra, reforçando a proposta de reduzir a absorção do calor externo e contribuir para o conforto térmico da residência

Dê atenção ao telhado

O telhado é uma parte muitas vezes esquecida, mas essencial ao pensar na refrigeração da casa. Uma boa solução é a pintura com cal ou tintas térmicas claras, que ajudam a refletir os raios solares. É importante lembrar, porém, que a sujeira acumulada ao longo do tempo pode reduzir a capacidade de refletividade dessas superfícies.

Apesar das tintas ajudarem na reflexão do calor em telhados e paredes, elas não substituem o desempenho de um bom sistema de isolamento térmico. “O ideal é combinar diferentes estratégias, como pintura refletiva, sombreamento e, sempre que possível, soluções de isolamento”, pontua Samia.

A fachada da casa recebeu uma camada de tinta emborrachada, que além de refletir os raios solares, protege contra a poeira trazida pelos ventos do sertão — Foto: Sarah Medeiros/Divulgação | Projeto de Kamile Seiva

Foto: Sarah Medeiros/Divulgação | Projeto de Kamile Seiva

A fachada da casa recebeu uma camada de tinta emborrachada, que além de refletir os raios solares, protege contra a poeira trazida pelos ventos do sertão.

Entre os resultados possíveis, de acordo com a Norma de Desempenho ABNT NBR 15575, a pintura clara reduz o calor em 10% a 20%, tintas térmicas refletivas em 15% a 30%, e o isolamento adequado em 40% a 80%.

A cor do piso externo também é importante

Antes de escolher o piso da área externa, é importante considerar seu impacto térmico. Superfícies horizontais, como decks e calçadas, recebem intensa radiação solar e, quando muito escuras, acumulam calor e o irradiam para o entorno.

A fachada foi revestida com ripas de concreto da Munó no bloco térreo e recebeu pintura branca no primeiro andar. O piso de pedras brancas complementa a composição e contribui para melhorar a climatização interna — Foto: Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Forma 011 Arquitetura | Paisagismo do Jardineiro Fiel, com execução de Helena Paisagismo

Foto: Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Forma 011 Arquitetura | Paisagismo do Jardineiro Fiel, com execução de Helena Paisagismo

A fachada foi revestida com ripas de concreto da Munó no bloco térreo e recebeu pintura branca no primeiro andar. O piso de pedras brancas complementa a composição e contribui para melhorar a climatização interna.

Por isso, especialistas recomendam priorizar tons claros ou médios — como areia, bege, cinza claro, concreto claro ou pedras naturais suaves. “Além da cor, materiais permeáveis, áreas verdes e elementos de sombreamento ajudam a reduzir o aquecimento dos espaços externos”, destaca a arquiteta.

A posição do imóvel em relação ao sol também merece atenção. Fachadas voltadas para oeste e norte, mais expostas ao sol intenso, pedem cores claras e materiais reflexivos. Já as fachadas ao sul, com menor incidência direta, permitem o uso de tons mais escuros e coloridos sem grande impacto térmico.

O tijolinho branco aparente, da Pedra Paulista, além de trazer charme à fachada, contribui para reduzir a absorção do calor externo, mantendo o interior da casa mais fresco — Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Rua 141 Arquitetura

Foto: Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Rua 141 Arquitetura

O tijolinho branco aparente, da Pedra Paulista, além de trazer charme à fachada, contribui para reduzir a absorção do calor externo, mantendo o interior da casa mais fresco.

Seguindo essas orientações, é possível manter a casa mais fresca e reduzir o uso do ar-condicionado.

Vale lembrar, no entanto, que o envelhecimento da pintura e o acúmulo de sujeira podem diminuir a capacidade de reflexão ao longo do tempo. Por isso, como reforça a arquiteta Caroline, “a manutenção e a limpeza periódica são essenciais para preservar tanto a estética quanto o desempenho térmico da fachada”.

Fonte: Casa e Jardim