Testamos a versão intermediária da picape média mais vendida do Brasil, vendida a R$ 346.890; veja os pontos negativos e positivos
Não tem como pensar em uma picape média e não lembrar da Toyota Hilux. Afinal, estamos falando da líder absoluta da categoria, que já soma mais de 45 mil unidades vendidas entre janeiro e novembro de 2025, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). São quase 50% de vantagem na liderança sobre as principais rivais, Ford Ranger e Chevrolet S10.
Só que isso não significa que a Hilux também não tenha seus defeitos. Pensando nisso, Autoesporte mostra agora cinco razões para comprar e cinco motivos para pensar bem antes de entrar em uma concessionária da fabricante japonesa. Para isso, testamos a versão SRX, uma abaixo da configuração topo de linha, que é tabelada em R$ 346.890.
5 razões para comprar a Toyota Hilux SRX 2026:
1) Conjunto mecânico confiável
O conjunto confiável da Toyota Hilux é o que faz a picape ter a fama de uma das mais duráveis do mercado. A caminhonete é equipada com o motor 2.8 turbodiesel, que entrega 204 cv de potência e 50,9 kgfm de torque. Há ainda câmbio automático de seis marchas e tração 4×4.
Fato é que essa combinação, em uma picape média com chassi sobre longarinas, é conhecida pelo alto nível de resistência e robustez, e pela capacidade de enfrentar uso severo por longos períodos sem apresentar falhas recorrentes. Em algumas regiões do Brasil, a Hilux é unanimidade em termos de durabilidade. Junto disso, a marca ainda oferece dez anos de garantia.
2) Desempenho
O desempenho da Hilux não é o melhor da categoria, mas está longe de decepcionar e, por isso, é mais um ponto positivo. A picape acelera de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos, de acordo com os nossos testes, feitos no 127 Campo de Provas. É um tempo semelhante ao de Ford Ranger e abaixo de rivais como Fiat Titano, Mitsubishi Triton e a nova GWM Poer P30, que precisam de mais de 11 s.
3) Capacidade off-road
No off-road, a veterana se sai ainda melhor por conta do excelente vão livre do solo. São 28,6 centímetros. Ou seja, não há pedra que atrapalhe a direção. Isso significa que a Hilux é uma opção bem melhor para trilhas na comparação com a Chevrolet S10, que tem 22,5 cm, e até que a Ranger, com seus 23,5 cm. Só fica para trás da Nissan Frontier e seus 29,2 cm.
4) Capacidade de reboque
A capacidade de carga da Hilux não é das maiores do segmento. Afinal, oferece 1.000 litros e 1.005 kg. Por outro lado, a capacidade de reboque de 3.500 kg coloca a caminhonete em outro patamar. A título de comparação, a rival Ford Ranger leva somente 2.750 kg.
5) Capota marítima de série
Por fim, a Toyota Hilux SRX tem um item de série difícil de encontrar na maioria das concorrentes: capota marítima. Prova disso é que nem a versão topo de linha da Ranger, que custa R$ 315.990, traz esse equipamento. Para adicioná-lo na picape da Ford, é preciso pagar R$ 1.759 extras. Só que o valor é ainda mais alto na Titano e na Poer: R$ 2.431 e R$ 2.490, respectivamente.
5 razões para pensar antes de comprar a Toyota Hilux:
1) Não tem direção elétrica
Só que, sendo fiel ao conceito de raiz, a Hilux também leva ao pé da letra a robustez. Isso ajuda a explicar por que ainda não tem direção elétrica, item já presente nas concorrentes. Na prática, o volante com direção hidráulica é bem mais pesado, o que dificulta na hora de manobrar. A única vantagem é que, se o componente estragar, o custo de reparo é mais barato.
2) Freio traseiro é a tambor
Outro ponto negativo da Hilux é que a japonesa é uma das únicas picapes no Brasil que ainda contam com um conjunto de freios composto de discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, um sistema menos sofisticado. As concorrentes Ranger, Titano, Frontier e Poer usam discos nas quatro rodas.
3) Consumo
O consumo da Hilux também está longe de ser dos melhores e a picape pode até ser chamada de “beberrona”. De acordo com o Inmetro, faz 9,3 km/l na cidade e 10 km/l na estrada, sempre abastecida com diesel. Nos nossos testes, conseguimos médias melhores, de 10,2 km/l e 12,9 km/l, respectivamente. Mesmo assim, a caminhonete consome mais combustível do que a maioria das rivais.
4) Poucos equipamentos
A Toyota Hilux também mostra os sinais da idade quando analisamos a lista de equipamentos. Tem uma tela de instrumentos digital de apenas 4,2 polegadas que funciona como computador de bordo, além de acabamento simples e até um pequeno relógio que parece ter sido tirado de um micro-ondas.
A central multimídia compensa com 9 polegadas e Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Só que não há carregador por indução, freio de estacionamento eletrônico, alerta de ponto cego ou de monitoramento da pressão dos pneus, como a maioria das rivais. Pelo menos são sete airbags de série.
5) Projeto antigo
Para finalizar, a Hilux está praticamente igual e sem mudanças significativas há dez anos. Afinal, a oitava geração foi lançada em novembro de 2015, enquanto as concorrentes receberam atualizações recentemente. Só que uma renovação profunda da picape já foi apresentada na Tailândia e deve chegar ao Brasil entre o último trimestre de 2026 e começo de 2027. Portanto, talvez seja melhor esperar.

