Destino pode ser mais que uma conexão e prova que, além de construções descomunais, vale colocar no roteiro um tratamento ayurvédico e até banho a 200 metros do chão
Dubai é sinônimo de recordes mundiais exorbitantes. É onde brota o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, e onde ficam a maior roda-gigante, o maior porta-retrato e até o maior arranjo de flores do mundo. Mas o emirado prova que não é somente um conjunto de arranha-céus no meio do deserto: é uma cidade global e um playground para diversos tipos de turismo.
Hoje, uma das facetas mais interessantes do emirado é a do bem-estar, que se mostra versátil, com uma proliferação de experiências que agradam a diferentes perfis. Os spas assinados por grifes são apenas o começo: o wellness pode ser encontrado em um passeio de barco no pôr do sol, em uma aula de pilates seguida de um matcha latte, ou até em um banho na piscina de borda infinita de 360 graus mais alta do mundo.
As ofertas variadas vão ao encontro do crescimento do turismo de bem-estar no mundo. Segundo um estudo recente do Global Wellness Institute, o setor deverá movimentar até US$ 1,35 trilhão (mais de R$ 7 trilhões) até 2028.
Dona de um dos aeroportos mais movimentados do planeta, com registro de 70,1 milhões de passageiros nos nove primeiros meses de 2025, Dubai é estratégica ao ligar Ocidente e Oriente. A conexão também se transformou em destino final, reforçando que a cidade merece ser saboreada por mais de um dia.
Brasileiros têm parcela nesse mercado: entre janeiro e agosto do ano passado, a empresa Civitatis notou aumento de 82% nas reservas de passeios no emirado em comparação com o mesmo período anterior. A facilidade de entrada, sem necessidade de visto, e o deslumbramento compartilhado nas redes sociais são fatores-chave para o salto.
É o pretexto ideal para adicionar mais dias à viagem e combater o cansaço do voo de 15 horas desde o Brasil com uma massagem reenergizante ou uma boa noite de sono.
Nova fronteira do bem-estar
Com janelões que enquadram o centro de Dubai, a mega academia do Siro One Za’abeel registra o entra e sai de jovens empreendedores e CEOs. A turma antenada libera hormônios antes do trabalho nas instalações de última geração deste que é considerado o “primeiro hotel fitness e de recuperação” da cidade.
Inaugurado em 2024, o empreendimento reúne 132 quartos (diárias a partir de 1.600 AED; R$ 2.285), e certas suítes possuem até miniacademia. O sono é prioridade em todas as acomodações com temperatura controlada, isolamento acústico, cortinas blackout e oferta de tratamentos biohacking. Já a estrutura esportiva abriga uma miríade de práticas.
“Queríamos preencher um vazio, garantindo que a rotina das pessoas não fosse comprometida durante as viagens. Quando viajamos, a dieta, o sono e os exercícios são afetados. Tentamos criar um lugar onde tudo esteja sob o mesmo teto”, conta Jamie Moore, diretor fitness do local.
Localizado entre o 30º e o 36º andares do complexo One Za’abeel, o hotel fisga executivos, empreendedores, expatriados e atletas de elite com objetivo de criar uma comunidade, no estilo clube de membros. Mas não se assuste: aqueles que desejam somente queimar algumas calorias, sem ser um membro ou hóspede, têm lugar nas mais de 40 aulas individuais ou coletivas por semana, com day pass disponível.
Porém, o bem-estar na cidade não se limita a ambientes fechados. Tradicionalmente realizado em novembro, o Dubai Fitness Challenge propõe 30 minutos de exercícios diários durante 30 dias. A ação é incentivada pelo governo e transforma rodovias em pistas de ciclismo e corrida, e agrega ainda ioga e stand-up paddle. Antes, entre junho e setembro, é a vez do Dubai Mallathon, que converte corredores de shoppings em pistas com ar-condicionado.
Abaixo, confira um guia do que fazer em Dubai que reúne endereços para experimentar a cidade de um jeito diferente, com opções para relaxar, refrescar e se exercitar.
Spas: da Dior à medicina tradicional indiana
Dior Spa e High Society

Spas assinados por etiquetas de luxo não são uma novidade, mas o Dior Spa fez burburinho ao desembarcar em Dubai em 2024. No 29º andar do hotel The Lana, os detalhes são pensados desde as estampas até os aromas. São cinco salas de tratamento com vidraças que se abrem para vistas incomparáveis da marina.
Tratamentos exclusivos vão do ritual de inspiração japonesa ao uso de pedras semipreciosas – há também terapias mais “simples”, como a facial com luz de LED por 850 AED (cerca de R$ 1.210). No fim, o cliente é levado para uma salinha de descanso onde é servido chá acompanhado de biscoito com o logotipo da maison. É a porta de entrada para quem deseja ter acesso à marca sem, necessariamente, comprar artigos de luxo.
Após o tratamento, vale subir um andar para admirar o visual da piscina do hotel, digna de Instagram. O rooftop abriga o High Society, lounge com bar e comidinhas sob supervisão do chef Jean Imbert. O local é como um camarote para o centro de Dubai e trabalha com day pass (800 AED, cerca de R$ 1.145), com créditos revertidos para o menu. Fica mais sedutor com o passar do dia, especialmente no pôr do sol.
Awaken Spa

Na ponta do arquipélago Palm Jumeirah, que simula uma palmeira, o Atlantis é um complexo familiar que reúne o maior parque aquático do mundo e um aquário recém-renovado com 11 milhões de litros d’água, onde é possível fazer aulas de ioga. O resort abriga ainda o Awaken Spa, transportando clientes a um recanto sereno que faz esquecer o agito de fora.
Há tudo o que se espera de um spa de qualidade, com menu extenso de pacotes e rituais. Com mais de 18 salas, as massagens partem de 750 AED (R$ 1.070), com técnicas balinesas, suecas e elementos como sal do Himalaia, infusão de areia do deserto e açúcar de tâmaras. No fim, é um deleite aproveitar a piscina de hidroterapia, as saunas e o lounge com petiscos veganos. Os mais corajosos se aventuram na banheira de imersão gelada.
Sohum Wellness Sanctuary

Em Dubai, nem tudo precisa ser sinônimo de grandeza material. No Sohum Wellness Sanctuary, a hospitalidade ayurvédica dita as regras, onde o frenesi de Dubai fica para fora dos muros. O centro de bem-estar não está hospedado em um resort, mas sim no bairro de Al Quoz, que se destaca por conta dos armazéns industriais repensados em galerias, estúdios e cafés. Uma árvore de quase um século dá as boas-vindas no pátio externo e um café sem carnes e laticínios é paradinha para recarregar as energias.
O diferencial é que o tratamento começa com uma consulta pautada na medicina tradicional indiana, sistema milenar que busca equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Primeiro, a doutora avalia se os elementos do corpo estão balanceados, incluindo fogo, terra, ar e água. Depois, indica o melhor ritual. Anote a dica: a massagem no couro cabeludo promove um relaxamento quase transcendental, com direito a gotas de óleo que pingam gentilmente na testa, permitindo sensações restauradoras.
Beach clubs: das areias às alturas
Casablanca Beach Club

Recém-inaugurado no complexo Atlantis, o Casablanca Beach Club já nasceu com alto-astral. A música animada, a água quente do Golfo Pérsico, o imponente hotel e um público jovem ajudam a compor o cenário. Ombrelones de tecido, espreguiçadeiras na areia e cabanas com piscinas privativas têm inspirações franco-marroquinas.
O cardápio acompanha a atmosfera, com uma cozinha mediterrânea que passeia por frutos do mar, tacos e makis para serem compartilhados e, principalmente, descomplicados. Os valores para passar um dia variam conforme a data, o horário e o tipo de acomodação escolhida.
Nikki Beach Dubai

Se você deseja ver e ser visto, o Nikki Beach é endereço certo na ilha de Pearl Jumeirah, onde mansões dividem espaço com o resort. A praia é vazia e as águas morninhas do Golfo conquistam qualquer um. A trilha sonora é alta, dominada por house e música eletrônica. Renovado recentemente, o beach club mantém a estética que consagrou a marca, dialogando com unidades em Saint-Tropez, Ibiza, Marbella e Santorini.
A experiência pode começar no restaurante, que apresenta uma cozinha com frutos do mar, cortes Angus e Wagyu, e uma seção japonesa que vai de crudos a sushis com atum bluefin. Ao longo do dia, o público se espalha entre espreguiçadeiras à beira da piscina e na areia, incluindo cabanas privativas com suítes. Os valores variam conforme o horário, o tipo de acomodação e a localização. A boa notícia é que parte do consumo pode ser revertida em comida.
Aura Skypool

Com exceção da areia, o Aura Skypool entrega toda a experiência de um beach club. O diferencial é que está situado nas alturas, com Dubai aos pés dos visitantes. A vista de 360 graus transforma a visita em uma atração por si só. No 50º andar do The Palm Tower, a 200 metros do chão, a piscina infinita dá uma volta completa no edifício e abriga espreguiçadeiras, lounge e espaço wellness. Concorrido no pôr do sol, o ambiente convida a aproveitar o cardápio pan-asiático com coquetel em mãos ou, quem sabe, um champanhe para combinar com a ocasião.
O local vende experiências em turnos (manhã, tarde, pôr do sol e noite), com setores que dão para distintas vistas. Preços mais em conta partem de 275 AED (R$ 391). Nas noites de domingo, a piscina tem sido palco para uma terapia guiada com exercícios de respiração enquanto os participantes flutuam em um colchão d’água. O evento custa a partir 400 AED (R$ 568).
Experiências: de pilates a passeio de barco
Matcha Club

No distrito de Al Quoz, onde a criatividade tem florescido em meio aos armazéns, o Matcha Club é uma experiência mais “insider”. É local de encontro da comunidade que mora em Dubai, fervendo antes mesmo das 9h. O endereço se intitula como um “clube boutique de pádel”, em referência ao esporte que virou tendência nos últimos anos.
Além das quadras, ali ficam espalhadas salas para ioga e pilates, tudo novinho, com produtos de qualidade e ambientes que instigam postagens nos stories. Aulas podem ser avulsas, a partir de 95 AED (R$ 136) para quem se aventura pela primeira vez. Mas não se engane: a aula de “pilates reformer” faz todos saírem pingando. O ritmo mais intenso é replicado em outras práticas, como no “power yoga” e no “deep stretch”.
O endereço mantém um café com itens saudáveis, como tigelas de iogurte, sucos de gengibre com cenoura e, claro, matcha latte.
Passeio de barco no pôr do sol

Uma maneira de conhecer a cidade de um outro ponto de vista é a bordo do Lady Nara, que navega tranquilamente pelo Canal de Dubai e desloca-se em meio aos arranha-céus. Seja pela manhã ou à noite, a experiência é requintada, com comidinhas inspiradas pelo Mediterrâneo e poucos passageiros.
A embarcação é um dhow de madeira, inspirada nos antigos barcos usados no Golfo Pérsico. Tapetes, sofás, almofadas e mesas ficam dispostas no deque aberto, ideal para desacelerar e curtir o fim de tarde, quando o sol alaranjado se esconde atrás do Burj Khalifa.
Quando a noite chega, as luzes dos prédios transformam Dubai em uma paisagem futurista. As saídas ocorrem no Festival City Waterfront e os preços começam em 199 AED (R$ 283).
Um gostinho da Dubai “pé no chão”

Em qualquer cidade, um bom roteiro equilibra momentos culturais. Para sair da Dubai dos arranha-céus e entender como o emirado surgiu, vale cruzar a cidade até o Al Shindagha Historic District, às margens do Dubai Creek.
Ali, antigas casas reais e construções revitalizadas contam a história da formação do emirado, ligada à família Al Maktoum, ao comércio e à vida ribeirinha. O distrito funciona como um museu a céu aberto. Um único ingresso (a partir de 20 AED; R$ 28) dá acesso a diferentes exposições, que ajudam a dar uma noção do desenvolvimento da cidade.
Para adentrar o souk, mercado ao ar livre que dá um gostinho da Dubai raiz, basta cruzar o canal a bordo dos barquinhos à espera de visitantes. As ruas cheias fisgam os sentidos com especiarias, ouro, têxteis e souvenirs, incluindo o “hypado” chocolate de Dubai. A área é majoritariamente ocupada por comerciantes paquistaneses, iranianos e indianos, que arriscam frases em português para chamar a atenção dos turistas brasileiros e, ao menos, arrancar um sorriso.
Fonte: CNN Brasil

