Presidente cobrou o partido no aniversário da sigla e falou em “vala comum”
O longo discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no aniversário de 56 anos do PT (Partido dos Trabalhadores) em Salvador no sábado (7) revelou sua preocupação com a burocratização da militância — tema que esteve presente nas rodas de conversa do evento.
Não por acaso, o evento aconteceu na Bahia, um reduto eleitoral comandado pelo partido há quase 20 anos.
O público presente no espaço de eventos Trapiche, no centro de Salvador, era em grande parte formado por políticos, assessores ou burocratas alocados nas máquinas da sigla ou da administração pública.
Em sua fala, Lula disse que os militantes não podem usar a legenda apenas para buscar cargos, relembrou os tempos do PT “raiz” nos 1980 e, enfim, foi direto ao ponto:
“Vocês têm obrigação de não deixar que o partido vá para a vala comum da política deste país”, afirmou.
A tentativa de energizar a base ocorre no momento em que os estrategistas petistas preveem uma eleição plebiscitária e polarizada contra o bolsonarismo.
O PT também aposta na disputa da narrativa “antissistema”.
“Só nós podemos ser o partido antissistema”, disse o presidente do PT, Edinho Silva, na abertura de uma seminário sobre comunicação no sábado.
O “sistema”, no caso, é a “elite” financeira da Faria Lima. Já para o bolsonarismo o sistema é o governo e o Judiciário.

